quinta-feira, 13 de junho de 2013


PREVENÇÃO DAS DOENÇAS DE TRANSMISSÃO SEXUAL

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

Prevenção das Doenças de Transmissão Sexual


 

As alterações dos padrões de comportamento sexual, observadas em todos os grupos sociais e particularmente nos grupos etários mais jovens, têm sido acompanhadas, nas últimas décadas, por importantes modificações na epidimeologia das doenças sexualmente transmissíveis.

 

A incidência das doenças de transmissão sexual (DTS), aumentou assustadoramente nos últimos anos.

 

São múltiplos os factores associados a este aumento, nomeadamente:

 

-       alterações do comportamento sexual

-       início mais precoce da actividade sexual, sendo a média de idade da primeira relação sexual na actualidade de 16 anos.

-       aumento da incidência da actividade sexual casual e múltipla, tanto hetero como homossexual

-       pouca utilização dos métodos de barreira (preservativo), por utilização da pílula, o que favorece a possibilidade de transmissão

 

2.     susceptibilidade fisiológica nas adolescentes por haver um défice de progesterona que torna o muco cervical muito espesso; com ciclos anovulatórios, este muco é filante, tipo clara de ovo, com grande facilidade dos agentes infecciosos penetrarem no útero e ascenderem pelas trompas até à cavidade abdominal

 

-       a existência de ectopia de colo uterino, muito vulnerável às infecções por agentes infecciosos, especialmente o Gonococo e a Clamídia

 

 

3.     aumento da incidência da infecção por HIV, que aumenta consideravelmente o risco de DTS

 

4.     dificuldade no reconhecimento precoce das infecções genitais, por haver sintomatologia escassa

 

5.     não aceitação da gravidade destas infecções pelos doentes

 

Atendendo às graves implicações no futuro (aumento da gravidez ectópica e infertilidade, por lesões das trompas), compete ao médico explicar e informar tudo isto e adoptar uma decisão atempada na prevenção, diagnóstico e terapêutica destas doenças

 

As DTS são doenças contagiosas para as quais se dispõe de medidas preventivas e terapêuticas, mas que persistem porque as suas causas subjacentes estão ligadas ao comportamento humano. Por isso, podemos encará-las como doenças de comportamento, quer dizer, são estados patológicos nos quais o comportamento humano desempenha um papel etiológico e que podem ser eliminadas modificando esses comportamentos.

 

Havendo portanto, uma precocidade das relações sexuais, os jovens são por isso uma população de alto risco para a disseminação das doenças de transmissão sexual, pelo facto de terem nessa época da vida vários parceiros sexuais.

 

Entre as numerosas DTS, um certo número delas são objecto de grande actualidade:

 

-       SIDA – doença transmitida pelos vírus HIV, modificou nas sociedades informadas o comportamento sexual, pela redução dos parceiros e pelo uso do preservativo;

-       Hepatite B – transmitida por vírus, sobretudo através das relações sexuais; a maior parte dos indivíduos adquire a infecção entre os 15 e os 24 anos; há que fazer a vacinação como método preventivo;

-       Infecção por Clamídia – a infecção por esta bactéria traz sequelas tardias, como a esterilidade de causa tubar. É a primeira causa mundial de doença sexual transmissível bacteriana.

 

Entre os adolescentes 7 % são portadores assintomáticos e 15 % ou mais, queixam-se de alterações clínicas, como dores pélvicas ou menstruais, corrimentos, perdas de sangue (metrorragias) fora das menstruações, dispareumias profundas.

 

-    HPV – transmitida pelo papilomavírus (papovírus), é hoje a DTS vírica mais frequente entre os jovens e adultos e o seu aparecimento pode levar a displasias e aumentar então os riscos de cancro do colo uterino; são muito frequentes as lesões vulvares que cursam com ardor vulvar e que são frequentemente confundidas com lesões micóticas;

-    Infecções bacterianas como a gonorreia, parasitárias como a tricomonase e as micoses vulvo-vaginais provocadas por fungos, são também DTS a ter em conta.

 

A contracepção local masculina por preservativo, podendo ser combinada com espermicida, é hoje o único método contraceptivo eficaz que permite a prevenção da SIDA e das outras DTS.

 

Esta informação de grande importância deve ser explicada para que se possa fazer a prevenção destas doenças e evitar futuras complicações e sequelas na fertilidade.

 

Sem informação correcta ou conhecimento destas situações, há a tendência a banalizar e a por de lado o preservativo, por haver em muitos casos a utilização da pílula, que protege da gravidez.

 

Nas consultas de ginecologia deverá fazer-se obrigatoriamente uma informação sobre as DTS e a sua prevenção, com ensinamentos sobre o uso do preservativo, mesmo que a mulher já use ou vá usar a pílula.

 

         No despiste destas doenças deverá fazer-se:

 

-         teste de Papanicolau para despiste de lesões ou doenças víricas, como o HPV;

-         tratar lesões do colo uterino que favoreçam o aparecimento e a propagação pélvica das DTS;

-         propor a vacinação contra a hepatite B.

 

As DTS constituem hoje um verdadeiro problema de saúde pública em todos os países do mundo.

 

No entanto, existem variações importantes da sua incidência em função dos níveis económico e sócio-cultural.

 

A prevenção das doenças sexuais transmissíveis e suas complicações tem fundamentalmente três objectivos:

 

1.     Evitar a exposição às DTS ou a contaminação, adoptando medidas contraceptivas correctas e evitar a promiscuidade sexual.

2.     Proteger o tracto genital superior da infecção ascendente ou seja prevenir a infecção pélvica, com tratamentos atempados e do seu parceiro sexual.

3.     Minimizar as sequelas a longo prazo como a infertilidade quando existe infecção ascendente.

 

Mas a verdadeira prevenção das DTS e consequentemente a redução da sua incidência e morbilidade, dependem, em última instância, da mulher (alterações do comportamento sexual), do médico (necessidade de um vasto conhecimento das DTS e seu tratamento) e da sociedade ( promoção de saúde e de educação e garantia de acesso fácil aos cuidados de saúde primários).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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